Esportes olímpicos e reforma do estatuto: o que pensam os candidatos à presidência do Botafogo

O Botafogo está próximo de definir seu presidente para os próximos quatro anos, e o ge segue a série de reportagens com os candidatos nas eleições que serão realizadas na próxima terça-feira. O tema da vez são os esportes olímpicos e uma possível reforma do estatuto.

Na última semana, os candidatos participaram da gravação do podcast GE Botafogo, em que foram abordados assuntos como projetos financeiros, centro de treinamentos, gestão, futebol, estádio e sedes do clube.

Em 2019, os esportes olímpicos voltaram a ganhar força em General Severiano com a conquista do primeiro título da Liga Sul-Americana de Basquete pelo Botafogo. Na metade deste ano, o projeto foi encerrado por falta de recursos. O time, porém, já foi retomado no Campeonato Brasileiro de 2021.

Nos últimos anos, o Botafogo passou por um processo de reforma em seu estatuto, que aprovou a proibição da reeleição e aumento de mandato de três para quatro anos, além de permitir que sócio-torcedor tivesse direito a voto. O assunto foi retomado com os candidatos, que veem necessidades de mudanças estratégicas. Veja abaixo as respostas.

Time de basquete do Botafogo conquistou título inédito da Sul-Americana em 2019 — Foto: Reprodução/Redes sociais
Esportes olímpicos

– Quais são os seus planos para os esportes olímpicos do Botafogo? É possível arranjar dinheiro para não deixar essas modalidades abandonadas? De onde?

Alessandro Leite: Os esportes olímpicos são fundamentais para o fortalecimento da marca, para a socialização e para a descoberta de novos talentos. Vamos fortalecer as estruturas. Queremos, inclusive, retomar o Futsal adulto, por ser uma modalidade esportiva que pode agregar muito ao futebol profissional.

Temos que abrir algumas frentes. A primeira através de projetos incentivados. Foi assim com o basquete. Por isso a necessidade de fortalecer as estrutura para ter quadros que possam identificar editais disponíveis, elaborar e aprovar os projetos. A outra frente é por meio de patrocínio na camisa. Para atrair patrocinadores é preciso mostrar que apoiamos esses esportes e teremos um projeto de longo prazo. Outra possibilidade é a instituição de um plano de sócio-torcedor atrativo e voltado para os esportes olímpicos, com programação definida e programa de recompensas.

Durcésio Mello: Quero fortalecer o esporte de alto rendimento e a base, principalmente o remo, basquete, vôlei, polo aquático, natação e o futsal. Hoje temos um gargalo, esse projeto estava indo muito bem pelo menos no papel, porque com o advento da S/A o Botafogo teria a CND (Certidão Negativa de Débitos) e hoje não temos. Então temos que trabalhar para conseguir a CND, procedimento que tem que ser feito para zerar eventuais dívidas federais. Dá para fazer através da Companhia Olímpica Botafogo, que tem CND, e é onde o basquete captava. Eu quero fazer esses esportes que o Botafogo tem tradição darem alegrias ao torcedor.

Temos que resgatar, mas tem várias coisas a serem feitas, precisamos de um ginásio adequado, colocar em funcionamento a piscina do Mourisco Mar, que está fecha há mais de um ano… Isso pode ser feito via lei de incentivo, parcerias e até patrocínios para formar equipes para essas modalidades. A marca do Botafogo é muito forte e isso é possível. De imediato começar a implementar as escolinhas, que estavam fechadas até por conta da pandemia. Dessas escolinhas podem sair atletas de alto rendimento e também são geradoras de receitas.

Walmer Machado: Vamos recriar e reestruturar os esportes olímpicos, tais como basquete, vôlei, natação e polo aquático, visando à sustentabilidade, mantendo as categorias existentes, como também resgatar o atletismo, futsal e investir no remo. É possível e isso será feito através da captação de verbas de projetos incentivados junto ao Governo, bem como obter patrocínios.

– O basquete foi um sucesso de resultados e entre a torcida nos últimos anos, mas o projeto vencedor teve que ser dissolvido por questões financeiras. É possível retomar o patamar ou não será prioridade?

Alessandro: Sim, iremos retomar. Em nossa chapa temos pessoas experientes e vitoriosas, que tocaram esse projeto. Sob nossa gestão o clube conquistou um título inédito, o maior feito de nossa história: campeão da Liga Sul-Americana de 2019. Infelizmente, há quem não entenda a importância dos esportes olímpicos e lutou muito internamente para a interrupção do projeto. Assim, diversos fatores causaram o estrangulamento financeiro e fim dos investimentos, dentre eles a pandemia. Havia uma expectativa de liberação de edital para a área cultural este ano, mas com a pandemia não houve editais disponíveis para projetos incentivados, voltados para o esporte. Por isso não foi possível continuar.

Durcesio: É prioridade. As coisas estão andando, já temos um fornecedor de material. Tenho ideias e custos para aumentar o ginásio, porque hoje não podemos receber jogos do NBB. Falar em retomar o caminho das vitórias no NBB é mais complicado, porque não se monta um time da noite para o dia, podemos ter todo o dinheiro do mundo e não conseguir um time que dê liga no primeiro ano. Eu me lembro que o Léo Figueiró (ex-técnico), que fez excelente trabalho, me falava que interromper esse trabalho de vários anos prejudica, porque para o Botafogo ser campeão sul-americano foi um trabalho de anos. Para montar o time demora, mas temos que começar o mais rápido. Antes, eu dependo de dinheiro. Hoje tem um recurso lá, mas não para voltar a disputar em altíssimo nível.

Walmer: Sim, é plenamente possível e vamos trabalhar para isso. Vamos avaliar a situação atual, pois não conhecemos a realidade, já que nenhuma pessoa da chapa participa dessa administração.

– Nesse sentido, mas também em outros, as leis de incentivo estão no radar da sua candidatura? Quais são as ideias?

Alessandro: Estão em nosso radar. Vamos criar uma estrutura, um departamento de captação, no âmbito da vice-presidência comercial, voltada para a identificação desses editais e que tenha a expertise no assunto.

Durcesio: Já trabalho com lei de incentivo e é viável. Quando você tem a marca Botafogo por trás fica menos complicado captar. A gente implantando o modelo profissional como queremos no Botafogo, com CEO, diretores remunerados e modelo de governança coorporativo, você passa mais credibilidade. O dinheiro de incentivo é o dinheiro que as empresas investem parte do que pagariam de imposto de renda em projetos esportivos. Vários clubes se mantêm com lei de incentivo, como Pinheiros e Minas Tênis Clube, são clubes fortes, com tradição grande. É muito viável.

Walmer: Nós temos pessoas da chapa que já estão tratando do tema, inclusive, formatando o projeto para angariar os recursos necessários para colocar em prática nosso projeto na recriação e reestruturação dos esportes olímpicos.

Reforma do estatuto

– Quais serão as propostas para reforma do estatuto, se houver alguma?

Alessandro: Temos ouvido os anseios da nossa torcida com relação ao voto. Isso tem me motivado. Temos que ouvir mais e buscar um caminho para que possamos aprofundar o que já foi feito de mudança no estatuto e estudar no que podemos avançar.

Durcesio: Agora não, mas eu quero mudar o que for possível para modernizar o clube. Quando eu falo que quero uma gestão com CEO, diretores remunerados e menos vice-presidentes amadores, você rompe com o modelo de colocar pessoas em cargos que não podem se dedicar, porque têm suas atividades e só vão trabalhar depois do expediente, é um modelo que está há anos nos clubes e se tornou inoperante. O que eu quero, se precisar mudar o estatuto, é para modernizar. Mas temos conselhos, beneméritos, isso tem que ser aprovado. Isso vai ser feito com toda a equipe profissional, que vai pensar o estatuto que permita uma dinâmica melhor pra gestão.

Walmer: Temos algumas propostas de imediato para a reforma do estatuto como o direito do sócio-torcedor votar e enxugar as vice-presidências.

– No momento, a principal pauta é o projeto S/A, que separa o futebol do restante do clube. O que pode ser feito quanto às receitas antes mesmo do clube-empresa. Isso está nos planos da sua campanha?

Alessandro: Apoiamos integralmente a implantação da S/A, aliás, fomos os grandes gestores do projeto e vamos atuar fortemente nisso. Contudo, considerando a demora em sua implantação é possível estudar a estruturação de um fundo com grandes botafoguenses e investidores de mercado, com aportes menores, proporcionando o pontapé inicial do planejamento estratégico de uma estruturação focada no futebol profissional, com a obtenção de capital de giro. Também pretendemos organizar a captação via FIDC. Uma das saídas para o grave problema de estrangulamento financeiro de curtíssimo prazo do Botafogo é a captação de recursos através de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios – FIDC. Essa proposta não é novidade no âmbito das entidades esportivas, sendo utilizada por clubes do Rio e São Paulo. Mas estamos pensando no Botafogo como um todo e, por isso, as fontes de receita devem ser multiplicadas. Não podemos parar na S/A.

Temos o projeto de uma plataforma de marketplace, através de lojas virtuais oficiais, com a experiência digital de pagamento e delivery integrado à rede do Botafogo. Essa experiência (e-commerce) poderá atender melhor os nossos sócios-torcedores e gerar receitas. Outro ponto é comercialização de naming rights de estádios, eventos, complexos esportivos e torneios, com marcas pertencentes a grandes empresas, no mercado brasileiro. É possível analisar os ativos de nosso Glorioso Botafogo e obtermos patrocínios via naming rights. A nossa sede Mourisco Mar é um exemplo desses ativos que poderá ser estruturado e valorizado. Também queremos destinar recursos orçamentários para investir na Botafogo TV e em todas as nossas plataformas digitais. Valorizar a nossa presença digital gerando conteúdo proprietário é fundamental para atrair o torcedor e empresas parceiras. Ou seja, importantíssima forma de valorizar a nossa identidade e atrair receitas.

Durcesio: Pelas informações que tenho, o futebol e os funcionários têm salários garantidos até fevereiro do ano que vem. Após isso, a gente tem que lutar contra o bloqueio de receitas. Vamos ter receitas dos direitos de transmissão, de premiação. O problema é ter receitas e elas não chegarem por ficarem bloqueadas. Isso tem que ser equacionado. Não adianta injetar R$ 300 milhões e o dinheiro ser penhorado.

Walmer: A primeira meta é estancar o sangramento financeiro do Botafogo. Como não fazemos parte da gestão atual, nem temos vínculo com os desmandos que estão acontecendo atualmente no clube, algumas empresas já nos procuraram com interesse de investir na marca Botafogo, seja para patrocínio máster na camisa, seja para naming rights no Estádio Nilton Santos.

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