Entenda como se avalia a eficácia de uma vacina

Em todo o planeta, 11 vacinas contra a Covid estão hoje na etapa crucial de testes, que envolve milhares de voluntários. Veja como se avalia a eficácia de uma vacina

Voluntários brasileiros são hoje parte importante do esforço mundial por vacinas contra a Covid. Quatro dessas vacinas estão sendo testadas no Brasil porque os acordos assinados podem render transferência de tecnologia e prioridade na compra. Além disso, o país mantém um número ainda alto de novos casos, o que é fundamental para testar a eficácia das vacinas; só induzir o organismo a produzir anticorpos não basta.

“Esses anticorpos que os estudos de fase 1, 2 demonstram induzir nem sempre são suficientes para neutralizar a invasão do vírus. Algumas vezes nós poderemos ter vacinas que, com esses níveis de anticorpos, sejam suficientes somente para proteger, por exemplo, formas graves, que já seria uma boa ideia. Outras vacinas ou outro tipo de anticorpo induzido por essa vacinação pode ser suficiente para prevenir doença, inclusive doença leve. E algumas podem não demonstrar nenhuma eficácia, não são suficientes para neutralizar o vírus”, explica Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Foi com muita rapidez que a ciência avançou nas primeiras etapas das candidatas a vacinas. Elas aconteceram em laboratórios, com animais e pequenos grupos de pessoas; agora nos testes da fase três, os cientistas precisam do tempo da vida real. Eles vão contar o número de voluntários que pegaram a Covid e calcular matematicamente o quanto as vacinas funcionam.Brasil pode ficar sem a primeira vacina privada contra Covid-19 | VEJA

Os voluntários são divididos entre aqueles que tomam a vacina e o chamado grupo controle, que recebe um placebo, uma substância sem efeito. Voluntários e pesquisadores não sabem quem tomou o quê. Quando um número já estabelecido de voluntários pega Covid, aí sim é feita a análise para saber se os contaminados estão entre os que receberam a vacina ou o placebo.

No caso da vacina da SinoVac, testada pelo Instituto Butantan de São Paulo, as primeiras análises serão feitas quando surgirem 154 casos de infecção por coronavírus entre os voluntários.

“Na hora que atingir 154 casos na coorte, pode ser feita a primeira análise de eficácia. E aí o que se espera é que o grupo que tenha sido vacinado tenha sido protegido da infecção em relação ao grupo controle”, afirma Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan.

Essas análises são refeitas mais duas ou três vezes para determinar se a vacina realmente protege. Vacinas com baixa eficácia podem trazer uma falsa sensação de segurança, entre outros problemas. Por isso, a OMS estabelece níveis de proteção.

“O ideal é uma vacina com uma eficácia minimamente entre 50 e 70%, que você possa tomar e ter uma certeza razoável que você não vai ser infectada porque você está realmente protegida”, avalia Mariângela Galvão Simão, diretora-assistente da área de medicamentos e produtos de saúde da OMS.

Esses níveis de proteção podem variar de acordo com a idade e com doenças prévias, por isso, além de profissionais de saúde, os centros de testes buscam agora diversificar os voluntários.

“Além de profissionais de saúde, é bom testar populações vulneráveis que estão se expondo a Covid-19, então pessoas que estão saindo, que estão tendo contato com outras pessoas”, explica Álvaro Furtado da Costa, médico infectologista do Centro de Referência e Treinamento de SP.

 

“É necessário que a fase três demonstre realmente que eficácia tem essas vacinas, qual a eficácia por grupo, ou seja, por idade, por portadores de doenças crônicas ou não, e qual é o desfecho que essa eficácia induz. Ou seja, se ela é uma eficácia boa para formas leves, para formas graves, para hospitalização ou morte contra Covid-19”, destaca Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.

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