Dólar opera em queda depois de chegar a R$ 5,80

O dólar passou a operar em queda na tarde desta sexta-feira (30), depois de chegar a R$ 5,80, mas ainda caminhando para fechar a semana e o mês com valorização, em meio às preocupações com a trajetória da dívida pública e com uma nova rodada de lockdowns na Europa afetando as perspectivas para a recuperação da economia global.

Às 15h56, a moeda norte-americana recuava 0,44%, cotada a R$ 5,7408. Na máxima do dia até o momento, chegou a R$ 5,8080, maior valor desde meados de maio. Na mínima, foi a R$ 5,7228. Veja mais cotações.

Na quinta-feira, o dólar fechou em alta de 0,11%, a R$ 5,7661, no maior valor desde 15 de maio. Já o câmbio turismo chegou a R$ 6,0352. Na parcial do mês, acumula alta de 2,63%. No ano, tem valorização de 43,80%.

 

Cena externa e local

A proximidade da data da acirrada disputa entre o atual presidente, Donald Trump, e seu adversário democrata, Joe Biden, tem deixado os investidores nervosos, uma vez que o resultado segue nebuloso. Além disso, o evento significa mais um obstáculo para as negociações de novos estímulos fiscais na maior economia do mundo, que provavelmente só serão implementados depois que os norte-americanos forem às urnas.

Na Europa, dados divulgados nesta sexta mostraram que a economia da zona do euro mostrou uma recuperação forte no 3º trimestre, após tombo histórico entre os meses de abril e junho. O Produto Interno Bruto (PIB) da região registrou uma alta histórica de 12,7% na comparação com o trimestre anterior, acima do esperado pelo mercado.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, no entanto, o conjunto das 19 economias que usam a moeda comum europeia ainda aponta queda de 4,3%, mostraram nesta sexta-feira (30) dados preliminares da agência europeia de estatísticas, Eurostat.

A Europa, no entanto, está totalmente imersa na segunda onda da pandemia do coronavírus, a ponto de vários países do bloco terem voltado a adotar restrições drásticas, o que afeta as perspectivas para a recuperação econômica.

Colaborando para a volatilidade, vários analistas citaram a aproximação de um fim de semana prolongado, marcado pelo feriado do Dia de Finados na segunda-feira. As negociações no mercado local retornam justamente no dia da eleição presidencial nos Estados Unidos.

Na cena doméstica, seguem as preocupações com a situação fiscal do país e sustentabilidade das contas públicas, além da capacidade do governo de avançar numa agenda de reformas, têm dominando as atenções dos investidores, sendo apontadas como os principais fatores de pressão sobre o real.

O Banco Central informou nesta sexta que a dívida bruta do setor público, uma das principais formas de comparação internacional (que não considera os ativos dos países, como as reservas cambiais), superou a marca inédita de 90% do PIB em setembro.

Já o IBGE divulgou que o desempregou saltou para a taxa recorde de 14,4% no trimestre encerrado em agosto, atingindo 13,8 milhões de brasileiros, com a população ocupada no país encolhendo para o menor patamar já registrado no país.

A taxa de juros em mínimas históricas também tem tornado o país menos atrativo para investidores internacionais, em razão do diferencial de juros na comparação com outras economias, reduzindo o fluxo de dólares para aplicações financeiras no país, o que também contribui para um patamar de câmbio mais alto.

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