Crivella se reúne com Bolsonaro e anuncia que deve começar reabertura ‘nos próximos dias’

Segundo o prefeito do Rio, houve uma queda de 80% das aglomerações e do número de passageiros em ônibus na cidadeCrivella garante hospitais com funcionamento pleno em até 10 dias

BRASÍLIA – O prefeito Marcello Crivella afirmou nesta quinta-feira, após se reunir com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, que submeterá ao “conselho científico” do município nesta sexta um plano elaborado com empresários para retomar principalmente o setor do comércio e parte do setor de serviços do Rio de Janeiro, em meio à pandemia do novo coronavírus.

– Agora estamos no estudo da retomada. Se Deus quiser, nos próximos dias vamos começar a reabrir as coisas – declarou Crivella, na saída da reunião, realizada a convite de Bolsonaro, que pediu informações sobre a capital fluminense.

Ainda segundo o prefeito, a reabertura será escalonada “como todo lugar do mundo”. Ele apontou que houve uma queda de 80% das aglomerações e do número de passageiros em ônibus na cidade, o que daria “sinais no horizonte que devemos voltar as atividades”.

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Crivella almoçou com Bolsonaro e com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e depois teve uma reunião privada com o presidente, que não consta em sua agenda oficial até o momento. Ele contou que tratou do coronavírus na conversa, mas se recusou a dar detalhes sobre o que foi discutido no encontro, argumentando que cabe ao anfitrião divulgá-los.

Questionado sobre a situação do Rio no combate à Covid-19 e se fez algum pedido específico ao chefe do governo federal, o prefeito disse que há leitos disponíveis nos hospitais.

– No Rio de Janeiro está, graças a Deus, havendo leitos, e enfrentando essa tragédia […] O Rio de Janeiro tem respiradores. Nós compramos na China 806 respiradores e já recebemos – afirmou.

Ao ser indagado se falou sobre as medidas restritivas contra o novo coronavírus com Bolsonaro, que critica o isolamento social adotado por estados e prefeituras, Crivella disse que o caso do Rio foi um “fato interessante” por haver um conselho científico que aconselha a prefeitura e nunca ter havido o chamado “lockdown”.

– O Rio de Janeiro manteve a indústria toda aberta. Toda a indústria sempre esteve aberta, sempre esteve trabalhando, inclusive a indústria da construção civil, petróleo e gás, siderúrgicas… Os serviços também. Escritórios de advocacia, escritórios de contabilidade, arquitetura, engenharia, todos eles trabalharam normalmente. Os serviços que pararam foram aqueles prestados próximos, por exemplo, manicure, cabeleireiro, dentista. Menos de dois metros, aí não podia. A parte do comércio, aí sim foi a grande paralisação, mantendo apenas os essenciais. Mas a indústria e os serviços, de modo geral, não pararam – apontou.

Sobre o “estudo da retomada”, ele disse que o plano foi formulado com os empresários do Rio “de todos os setores que tiveram paralisação, sobretudo o setor do comércio, parte do setor de serviços”.

– A indústria também contribuiu, embora a indústria não tivesse tido nenhuma paralisação. Nós todos sentamos, fizemos um projeto e eu quero apresentar a comunidade científica, para, diante dos leitos que estamos abrindo, e também a diminuição da curva de velocidade de contágio, nós podemos retomar as atividades do Rio – disse.

Na sequência, Crivella relativizou os decretos de Bolsonaro que ampliaram o rol de atividades essenciais em meio à pandemia, dizendo que os atos “sempre vinham no final com ressalva”, de que o governador e o prefeito deveriam analisar a situação presente em cada caso.

– Se fosse uma ordem, se fosse uma decisão do governo federal, o Rio obedeceria sem problema nenhum. Mas como havia ressalva, o Rio de Janeiro, nas suas condições, manteve o afastamento social nesses setores de serviço que são prestados a menos de dois metros. Agora, com as máscaras, com as curvas caindo, com certeza nos próximos dias nós vamos ter liberação – declarou.

Outras agendas em Brasília

O prefeito contou ainda que, após a reunião no Planalto, iria encontrar o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, José Levi Mello, para tratar da negociação de uma dívida que o Ministério da Saúde tem com o Rio e de recursos que o município tem presos na Caixa Econômica Federal desde a época da Olimpíada de 2016.

– Nós precisamos fazer a mediação da Advocacia-Geral da União e eu espero que eles possam fazer essa mediação agora, na hora que o Rio mais precisa, né? As cidades do Brasil, todas elas, tiveram uma queda de arrecadação expressiva por causa do coronavírus, todo mundo sabe disso. Então nesse momento esses assuntos que estavam pendentes a gente tenta resolver – comentou.

Em seguida, ele disse que se encontraria com o ministro do Transporte, apesar de essa pasta não existir no governo Bolsonaro, para falar “sobre concessões, pedágios e coisas do tipo”. Ele provavelmente se referia ao titular da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.
 

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