Crise da lira turca derruba Bolsas no mundo todo e contamina o Brasil

As principais Bolsas europeias abriram seus pregões no vermelho nesta segunda-feira, refletindo o impacto da crise monetária na Turquia, onde a lira se recupera levemente depois de o Banco Central anunciar um pacote destinado a injetar liquidez nos bancos. A crise respingou no Brasil e o Ibovespa abriu a semana em queda, tocando os 75 mil pontos (-0,76%, a mínima do dia), mas recuperou alguns valores no final da manhã, aproximando-se dos 77 mil pontos. A confusão cambial também afetou o dólar, que chegou a bater 3,91 reais nesta segunda. A Bovespa, no entanto, acabou fechando em alta de 1,28% e o dólar recuou a 3,86 reais.

A lira amanheceu com novas quedas e chegou a ser negociado a mais de sete unidades por dólar. Na sexta-feira passada, a moeda turca despencou 20% durante a jornada, causando bastante tensão nos mercados financeiros. O estopim para esse cenário foi o anúncio do presidente Donald Trump sobre novas tarifas dos EUA à importação de aço e alumínio da Turquia. A incidência da guerra comercial norte-americana sobre a depreciação da lira turca continua prejudicando os mercados de renda variável.

Nesta segunda-feira a lira se recuperou ligeiramente, depois que o Banco Central turco comprometeu-se a proporcionar liquidez e a reduzir os níveis mínimos de reservas em divisas estrangeiras dos bancos locais. Antes do anúncio da entidade bancária, a moeda turca acumulava mais desvalorização.

O Banco Central turco disse que vai proporcionar “toda a liquidez necessária” aos bancos do país, além de reduzir o volume de reservas obrigatórias que são exigidas dos bancos turcos, como resposta às turbulências que já fizeram a moeda do país perder mais de 40% do seu valor e como forma de manter o funcionamento eficaz do sistema bancário. “O Banco Central vigiará de perto a profundidade do mercado e a formação de preços e tomará todas as medidas necessárias para manter a estabilidade financeira se considerar isso necessário”, anunciou a instituição em um comunicado.

Entre as medidas anunciadas nesta segunda está a de promover uma nova uma operação de refinanciamento nos dias de maior necessidade de liquidez, com vencimentos que oscilarão entre seis e dez dias. “Com esta revisão, aproximadamente 10 bilhões de liras turcas (5,6 bilhões de reais), seis bilhões de dólares (23,2 bilhões de reais) e três bilhões de dólares em ouro (11,6 bilhões de reais) serão oferecidos ao sistema financeiro”, informou a instituição.

A complicada situação monetária da Turquia estressou as Bolsas dos principais países europeus. Na Espanha, pela manhã, o Ibex 35 caía 0,9% no início da sessão e se mantém abaixo dos 9.600 pontos, puxado para baixo pelos principais bancos. O BBVA, a entidade com mais presença na Turquia e região, lidera as perdas, com quase 3,2%. Segue-o de perto o Santander, que perde 1,78% no mercado espanhol.

As taxas de risco associadas aos grandes países do Velho Continente também se ressentem e amanheceram em alta. O spread entre o bônus alemão com vencimento em 10 anos, considerado o mais seguro pelos investidores, e o espanhol está em 113 pontos básicos, quase 2% mais.

O resto das Bolsas europeias também abriu no vermelho. Em Paris, o índice CAC caía 2,3%, ficando em 5.500 pontos. Milão e Frankfurt também começaram o dia com perdas de 2,5% e 0,5%, respectivamente. O retrocesso de 0,8% em Wall Street na sexta-feira passada e as quedas das praças asiáticas nesta madrugada (Tóquio perdia 1,98%; Hong Kong caía 1,5%, e Xangai, 0,43%) prejudicaram os mercados europeus na abertura.

Os grandes bancos europeus são os principais prejudicados pela crise monetária da Turquia. Os investidores expressaram sua preocupação com a situação, segundo apurou a Reuters. Os bônus em dólares dos bancos turcos caíam, e as ações dos bancos europeus com interesses comerciais na Turquia, como UniCredit, BNP Paribas, BBVA e ING, também se viam debilitadas.

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