Com coronavírus, empresas no Brasil cancelam viagens, adotam home office e põem executivos em quarentena

Coronavírus: trabalhador em fábrica de produtos lácteos em Pequim usa uma máscara de proteção durante o expediente Foto: Thomas Peter / Reutersdisseminação rápida do coronavírus pelo mundo já altera a rotina de empresas com operações globalizadas, em setores que vão de alimentos a energia,autopeças e eletrônico

As companhias que operam no Brasil optam pelo cancelamento de viagens internacionais, dão preferência a reuniões por teleconferência e adotam home office para colaboradores que estiveram em áreas afetadas, entre outras ações.

Além disso, empresas que dependem de componentes chineses para montagem de celulares tiveram de paralisar linhas de montagem temporariamente em fevereiro.

A Nestlé, multinacional de alimentos e bebidas – presente em 190 países e com 308 mil funcionários pelo mundo (sendo 32 mil no Brasil) – recomendou a suspensão de viagens e pediu que os funcionários utilizem “métodos alternativos” de comunicação sempre que possível.

Funcionários que tenham viajado para regiões afetadas pelo vírus nos últimos 14 dias devem informar o chefe imediato e trabalhar de casa por duas semanas.

A multinacional informou que adotou medidas de biossegurança nas fábricas, escritórios e centros de distribuição, com medidas de controle de infecções estendidas a fornecedores.

Só Viagens essenciais

O grupo L’Oréal, do setor de beleza e cosméticos com sede na França, também suspendeu todas as viagens até 31 de março, como medida preventiva. Outras companhias restringiram os destinos permitidos.

A Enel, do setor de energia e com matriz na Itália, interrompeu viagens de e para China, Hong Kong, Macau e Taipé, incluindo escalas nesses países.

Para os demais destinos, as viagens serão feitas apenas quando consideradas como essenciais para os negócios e de acordo com as determinações das autoridades.

Outro grupo italiano, o Ferrero, dono de marcas como Nutella e Kinder e que tem operações no Brasil, não suspendeu as viagens, mas recomenda que sejam realizadas apenas quando “extremamente necessárias”.

No entanto, funcionários que viajaram para China, Cingapura, Hong Kong, Coreia e para o Norte da Itália estão sendo orientados a trabalhem em casa por 14 dias após o retorno a seu país.

A medida vale também para quem tem um familiar regressando de uma dessas áreas.

A BRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, dona das marcas Sadia e Perdigão e com operações em mais de 140 países, ampliou a lista com restrições de viagens. Além da China, estão nela Coreia do Sul, Irã e Itália.

Ao realizar viagens a outros destinos, os funcionários já seguem diretrizes de biossegurança, diz a BRF, cumprindo o “vazio sanitário”, período em que eles não têm acesso a pessoas ou instalações da empresa, como fábricas e centros de distribuição.

Agora, esse prazo subiu de dois a três dias para 14. A empresa criou um grupo de trabalho que monitora os mercados onde a BRF atua para atualizar os funcionários sobre a evolução da doença e medidas preventivas.

Distribuição de cartilha

Restrições semelhantes estão sendo adotadas no frigorífico Minerva, um dos maiores processadores de proteína animal in natura do mundo.

Segundo o presidente Fernando Galletti de Queiroz, a orientação é evitar viagens internacionais desnecessárias e seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), como disponibilizar desinfetantes e álcool em gel aos empregados, entre outras medidas.

Pelo menos 12 milhões de trabalhadores do comércio e serviços no país já estão recebendo cartilhas virtuais com recomendações para se prevenir contra o coronavírus. O material foi enviado a 1,3 mil sindicatos filiados à União Geral dos Trabalhadores (UGT).

– A ideia é que esse material seja difundido via redes sociais para mais pessoas. E vamos imprimir 1 milhão de exemplares para distribuir à população em geral – disse Ricardo Patah, presidente da UGT.

Sediada em Caxias do Sul, a Randon, fabricante gaúcha de autopeças, emprega 130 pessoas numa fábrica nos arredores de Xangai. A unidade, parada desde o feriado de Ano Novo chinês, retomou as atividades em 10 de fevereiro.

“Todos que voltaram a trabalhar passaram por exames médicos”, diz a empresa. Os executivos que voltaram de viagens internacionais estão passando por 14 dias de quarentena domiciliar. Saídas do Brasil estão sendo adiadas.

A falta de peças da China já provoca paradas em linhas de produção de celulares. Na Flextronics, que monta aparelhos da Motorola em Jaguariúna (SP), levou à paralisação das atividades por 15 dias na segunda metade deste mês, diz o sindicato dos metalúrgicos local.

Pelo menos 70% dos mais de 4 mil trabalhadores ficaram parados. Segundo a entidade, a empresa comunicou nesta quinta-feira a parada por mais 15 dias. Procurada, Motorola e Flextronics não comentaram.

Em Campinas, a unidade da Samsung que monta celulares, tablets e notebooks paralisou atividades entre os dias 12 e 14 deste mês por falta de peças, segundo presidente do sindicato dos metalúrgicos de Campinas, Cidalino Orsi. A Samsung informou que a unidade funciona normalmente.

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