Cinemas do Rio se adaptam a norma da Ancine que exige audiodescrição e libras para deficientes

Rio de Janeiro já tem nove cinemas com o aparelho de audiodescrição e libras.  — Foto: Gustavo Wanderley/G1

Deficiente visual há 10 anos, o aposentado Carlos Alberto Ferreira da Silva, de 66 anos, teve a oportunidade de voltar aos cinemas, depois de 30 anos, e entender grande parte do enredo do filme. Carlos assistiu, no último dia 6, ao clássico “O Rei Leão”, no Via Brasil Shopping, na Zona Norte do Rio, graças a uma novidade que está chegando aos cinemas cariocas.

Exigência da Agência Nacional do Cinema (Ancine), um aparelho com audiodescrição já é oferecido em nove complexos de exibição no RJ. O acessório é um celular com duas modalidades: tanto a narração de todas as cenas para deficientes visuais quanto libras, para deficientes auditivos.

O comerciante aposentado explicou ao G1 que é possível entender as ações dos personagens e até se emocionar. Só neste ano, Carlos Alberto já foi ao cinema quatro vezes.

“Com a audiodescrição, você tem uma experiência diferente, até mais emocionante. Você fica naquela curiosidade de saber realmente o que está acontecendo ali. Você se transfere, se concentrar bem e prestar muita atenção. É como se estivesse naquele local”, contou o comerciante.

Segundo a normativa da Ancine, fica definido que os todos os cinemas do Brasil têm até o dia 1º de janeiro de 2020 para ter aparelhos de audiodescrição e libras para deficientes visuais e auditivos.

Na descrição da norma, a Ancine defende que “é um direito que promove a igualdade de oportunidades” e que a acessibilidade deve ser contemplada em seis dimensões: arquitetônica, comunicacional, metodológica, instrumental, programática e livre de preconceitos.

O diretor executivo da Ancine João Pinho lembra que a inclusão nos meios culturais deve ser além da estrutura física. O serviço já está incluso no valor do ingresso e não deve ser cobrado adicional na utilização do aparelho.

“A gente está abrindo um mundo muito amplo para essas pessoas, permitindo que eles possam ter uma vida social e usufruir dos bens culturais do país da forma mais positiva possível. Estamos construindo o papel governamental de incorporá-los, de fato, na sociedade de todas as formas”, afirmou.

Para Carlos Alberto, o equipamento dá autonomia aos deficientes. Ele, que se orgulha de ser independente, deixou de ir ao cinema enquanto não tinha esse apoio tecnológico.

“Não adianta eu ir para o cinema com uma pessoa e a ela ficar falando ‘é isso, isso e isso’. Vai incomodar quem está do meu lado, na frente e atrás. Isso é muito incômodo. Com a tecnologia bem avançada, essa autodescrição fica muito mais fácil para o deficiente visual”, disse o aposentado.

Dividida em três momentos, a implementação dos aparelhos deve ser feita, até 16 de setembro deste ano, em 35% do total de salas de cinemas. A partir de 1º de janeiro de 2020, 100% das salas são obrigadas a ter o equipamento.

“Ainda estamos fazendo um mapeamento. A gente já passou da cota e estamos analisando quais cinemas ficaram para trás”, disse o diretor executivo.

O órgão informou, ainda, que cada complexo tem um número mínimo de aparelhos, dependendo do tamanho da estrutura. Como os equipamentos são móveis, podem ser remanejados de acordo com a demanda.

“A Ancine determinou um número mínimo conforme o tamanho de cada cinema. Não há necessidade que tenha para todo mundo. Um complexo com dez salas tem que ter 14 equipamentos, por exemplo”, explicou o diretor João Pinho.

Caso os cinemas não cumpram com a norma, eles serão penalizados. Infrações podem ser multas e advertências.

“Multa é uma das possibilidades. Toda infração dá abertura de um processo de apuração. Dependendo da infração pode ser advertência, multa, cada caso é um caso, que precisa ser avaliado individualmente”, informou o diretor.

Acessibilidade em centros culturais

Há, também, na programação de centros culturais, atividades acessíveis a deficientes visuais e auditivos.

O Museu do Amanhã oferece visitas guiadas em libras, maquetes táteis e estrutura física acessível. Para deficientes intelectuais, mentais e autistas há visitas às quartas-feiras, das 9h às 10h.

Já no Museu de Arte do Rio (MAR), o aparelho Lungo oferece o conteúdo das exposições em libras, além de visitas guiadas.

Confira lista de cinemas no Rio com o aparelho

  1. Cinemark Downtown – Av. das Américas, 500 – 2º Piso – Barra da Tijuca
  2. Cinemark Botafogo Praia Shopping – Praia de Botafogo, 400 – Botafogo
  3. Espaço Itaú de Cinema Rio de Janeiro – Praia de Botafogo, 316 – Botafogo
  4. Cinesystem Bangu Shopping – Rua Fonseca, 240 – Bangu
  5. Cinesystem Shopping Ilha Plaza – Av. Maestro Paulo e Silva, 400 – Ilha do Governador
  6. Cinesystem Shopping Via Brasil – Rua Itapera, 500 – Irajá
  7. Cinesystem Recreio Shopping – Av. das Américas, 19019 – Recreio dos Bandeirantes
  8. UCI Brasil ‐ Barra Shopping – Av. das Américas, 5000 – Barra da Tijuca
  9. UCI Ribeiro ‐ Norte Shopping – Av. Dom Hélder Câmara, 5080 – Cachambi

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