Cícero procura deixar salários atrasados de lado antes de decisão para o Botafogo

Após a eliminação precoce no Campeonato Carioca e em meio a dois meses de atraso nos salários, o Botafogo tenta colocar a casa em ordem antes de decidir sua vida na Copa do Brasil. Na última semana, o elenco decidiu não se concentrar antes da primeira partida contra o Juventude. Em campo, empate por 1 a 1 e atuação critica por grande parte da torcida.

Os salários ainda não estão em dia, mas Cícero, um dos veteranos do elenco, procura deixar o assunto de lado no momento apesar de reconhecer a dificuldade em lidar com a situação. A preocupação é apenas classificar o time.

– Às vezes, a gente debate muito uma situação e parece que não estamos jogando por causa dos atrasos. Todo mundo gosta de receber em dia. Isso é com a direção. Estamos aqui para defender a camisa. Independentemente do que aconteça, temos que entrar e sempre tentar dar o melhor.

”Estou chegando agora, é algo novo para mim. Mas quero focar no meu futebol, na minha forma física, para dar o meu melhor. Temos que focar no Juventude, um jogo importante para as pretensões do Botafogo na temporada”, afirmou Cícero.

Ainda não se sabe qual será a atitude dos jogadores nos próximos jogos do clube em casa.

– O grupo resolveu em comum acordo. Não teve stress. Não sabemos como será nos próximos jogos. Vamos obedecer as ordens do clube. O Botafogo estará sempre acima de todos – comentou.

O meia, no entanto, garantiu que a decisão não influenciou em nada na atuação da equipe e lembrou que na Europa é comum os jogadores se apresentarem no estádio horas antes da partida.

– Atuei na Europa, no Catar. A cultura de futebol é diferente. Se você chega duas horas antes do jogo, acham que não está concentrado do jogo. Estamos falando de outro patamar, economia mais forte do que no Brasil. Mas no Barcelona os caras chegam duas horas antes e são campeões da Liga dos Campeões. Acho algo natural. A equipe resolveu fazer isso pela situação dos salários, mas não vamos deixar de dar o máximo por essa camisa. O profissionalismo no Brasil está mudando muito. Se a gente ganha de 3 a 0, ninguém comentaria. Temos que parar com esse pensamento e focar no futebol para sempre fazer o melhor.

O Botafogo volta a campo na próxima quinta-feira diante do Juventude, em Caxias do Sul. Após o empate no Rio, qualquer nova igualdade leva a decisão para os pênaltis. O vencedor da partida garante vaga na quarta fase da Copa do Brasil.

Confira outras respostas de Cícero:

Juventude

– Cada jogo tem situações diferentes. No Rio eles jogaram muito fechados. Faltou forçar mais para furar o bloqueio. Mas nossa partida não foi ruim. Segundo tempo a gente massacrou. Jogar fora de casa é difícil, o Alfredo Jaconi é um campo acanhado. Vamos ter que enfrentar. Podemos fazer um bom jogo e sair com a classificação. Em termos de estratégia, sabemos que podemos evoluir mais. É um jogo de mata-mata. Vamos concentrados e consciente. Lógico que passar de fase é bom e ajuda no orçamento do clube. Temos que jogar futebol, o resto vem naturalmente. Não adianta pensar que vamos pegar o dinheiro para pagar isso ou aquilo.

Importância da Copa do Brasil

– É um jogo muito importante para a gente. Se passarmos de fase, levanta a moral da equipe. Ajuda na auto-estima. A estratégia é chegar lá e jogar o jogo. Pressionar ou recuar na hora certa. Queremos ganhar o jogo, temos que nos impor. Temos que ter uma postura positiva e consciente do que vamos fazer lá. Isso é o mais importante

Período sem jogos

– Particularmente para mim, achei muito bom os dez dias de treino. Não tive uma pré-temporada ideal. Foi muito bom para mim, precisava disso. Já estou sentindo uma melhora física. Sobre o time, o Zé está tentando implementar sua filosofia. Sabemos que faltou um pouco no primeiro tempo, mas dominamos na etapa final. Pressionamos, mas não conseguimos a virada. Queremos evoluir cada vez mais. Estamos em abril, somos uma equipe em formação. Mas temos que nos cobrar por mais evolução e é isso que o Zé está procurando fazer.

Pressão sobre Zé Ricardo

– Estou trabalhando há pouco tempo com o Zé Ricardo. Está se dedicando a cada dia para que a equipe evolua. É difícil ter uma equipe em formação, não é do dia para a noite. Acredito muito no trabalho do Zé, tem conceitos muito interessantes. Está tentando implementar. Temos dificuldade porque é uma equipe em formação, chegando jogadores novos no final do Carioca. Mas tenho certeza de que o Zé vai conseguir colocar esse time no eixo. Não tem que colocar na conta do Zé ou dos jogadores. Sabemos da cobrança no Brasil, mas já estamos há cinco ou seis jogos sem perder. Não está tudo ruim. É arrumar alguns detalhes para a gente engrenar na temporada.

Momento da equipe

– Jogar a pressão pra cima da gente é sempre complicado. Mas tem que estar calejado com a pressão externa. Estamos cientes de que todos juntos seremos mais fortes do que qualquer coisa. Temos que conseguir a classificação e dar continuidade jogo a jogo para chegar cada vez mais longe na temporada.

Posicionamento em campo

– Quem arma o time é o Zé, a gente acata o que ele pede. Temos várias opções no meio. As vezes os laterais e os jogadores de beirada fazem parte do meio. Depende da filosofia. Do mesmo jeito que a marcação começa no ataque, o futebol é coletivo. Zé está tentando encontrar a formação ideal para que a equipe evolua. Tem que ter uma identidade que faça o meio-campo jogar, que faça o ataque jogar. Isso que o Zé Ricardo está tentando implementar. A equipe precisa de todos para evoluir. Não adianta evoluir apenas um setor.

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