Chegada aglomerada, jogos vazios e ensinamentos: os seis meses de Honda no Botafogo até agora

Passou voando, mas neste sábado já faz seis meses desde a chegada de Honda ao Botafogo. A apresentação oficial do japonês ocorreu também no primeiro dia do fim de semana, quando nem se pensava em pandemia, com uma recepção de gala no Nilton Santos. Aquele 8 de fevereiro de sol na cidade do Rio de Janeiro levou 13 mil torcedores ao estádio. O que os botafoguenses mal sabiam é que aquele seria o único encontro com o jogador em 180 dias.

Saudade de uma aglomeração no Nilton Santos, né, minha filha? — Foto: Vitor Silva/Botafogo

No dia seguinte, o Botafogo mudava de técnico. Alberto Valentim não resistiu à derrota para o Fluminense e o japonês experimentou o primeiro “suco de futebol brasileiro”: queda de treinador no Estadual. A vida seguiu para o clube, que contratou o experiente Paulo Autuori enquanto Honda começava a se entrosar com o elenco e fazia até mesmo abdominais no chão entre um treino e outro.

Com o passar dos dias, Honda mostrou desenvoltura com os colegas de time. Nos vídeos divulgados pela Botafogo TV, dá pra ver que o japonês se diverte principalmente com Caio Alexandre e Marcelo. Recentemente o zagueiro contou que foi incentivado a fazer aulas de inglês graças ao camisa 4.

– Eles são melhores amigos, estão sempre juntos. Talvez, por isso eles se entendem e parece que se confiam. Isso é muito importante para o time, (…) precisamos de uma mentalidade forte e temos que confiar um no outro. Isso ainda não aconteceu, mas irá acontecer, com certeza. Então, esses colegas de time sempre estão com o Caio. (…) Eles sempre tentam falar comigo. Isso também é muito útil. O Nazário também tenta e o Gatito, e alguns jogadores. Nós não conversamos em inglês, mas para o futebol só precisa de uma língua – disse em recente entrevista ao canal do Botafogo no YouTube.

A demora na regularização do japonês fez com que a tão aguardada estreia fosse programada para o jogo de ida contra o Paraná, pela terceira fase da Copa do Brasil, em 10 de março. Apesar de já estar em forma, Honda não aparecia no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF. Porém, no último encontro da torcida botafoguense com o time, o meia não jogou. Gripado, ele chegou até a fazer o teste para a Covid-19, que deu negativo.

O primeiro jogo com a camisa preta e branca de número 4 foi no dia 15 de março, contra o Bangu, pela terceira rodada da Taça Rio. Mas o esperado reencontro com a torcida não aconteceu. A partida foi com portões fechados por causa da pandemia do novo coronavírus que começava a se alastrar pelo Brasil.

Dentro de campo, os primeiros toques na bola deixaram boa impressão. O japonês fez o dele ainda no primeiro tempo, ao marcar de pênalti, e mostrou bom futebol enquanto teve gás. As enfiadas de bola para os atacantes mexeram com os brios do torcedor. Mas aí veio a paralisação…

Honda cobra pênalti e marca seu primeiro gol pelo Botafogo — Foto: André Durão

Ainda em março, o adiamento da Olimpíada de Tóquio – marcada para este ano – fez com que os planos do japonês mudassem. O sonho do meia era disputar os Jogos em seu país natal, mas a pandemia afetou uma das principais ambições do camisa 4, que não se abalou e postou:

O bom senso do japonês também esteve muito presente durante o período de isolamento social. O ge lembrou de 10 vezes em que o meia foi sensato nesse tempo. Abrindo mão do salário de março por causa da pandemia – segundo Carlos Augusto Montenegro – Honda continuou ativo nas redes sociais. Ele se disse assustado com a Covid-19 no Brasilquestionou a retomada do Carioca e saiu em defesa de Autuori.

– O presidente e o governador querem voltar (com o futebol). A saúde vem em primeiro lugar, e a economia depois. Não chegamos ao pico no Brasil e parece que o campeonato vai recomeçar. Quero jogar, mas por outro lado temos que ter cuidado.
– Estou louco em querer saber uma razão lógica sobre por que recomeçaremos o campeonato?
– Ouvi que Paulo foi suspenso por algumas semanas. Por quê? Ele apenas expressou sua opinião e eu acho que ele está certo. Onde está a liberdade de expressão?
Honda, do Botafogo, posta canção de pagode em seu Instagram — Foto: Reprodução/Instagram

Educação como futuro

Se não conseguir deixar nenhum legado dentro de campo, Honda certamente o fará fora das quatro linhas. O japonês conversa com os outros jogadores para saber como era a realidade da escola que os colegas frequentaram. Um exemplo disso é que umas das primeiras coisas que perguntou a Matheus Nascimento – joia de 16 anos recém-integrada ao profissional – foi sobre como andavam as coisas no colégio.

O camisa 4 pretende criar um projeto educacional no Brasil. A ideia dele é ajudar crianças e adolescentes com dificuldade de acesso à educação de qualidade. Porém, ainda estuda como colocar o projeto em prática.

Pedro Raul, Marcelo e Honda em Fluminense x Botafogo — Foto: André Durão

Com a volta do futebol, Honda participou dos três jogos restantes da equipe na Taça Rio e também dos dois amistosos contra o Fluminense nos últimos finais de semana. Sob o comando de Paulo Autuori e jogando ao lado de Caio Alexandre, mais como um segundo volante, o camisa 4 tem comandado o meio de campo com a faixa de capitão.

O contrato do japonês vai até o fim do ano com a opção de prorrogar o vínculo caso as partes tenham interesse. Ainda falta ver como vai ser o desempenho do meia no resto do ano, mas pelos primeiros seis meses já é possível dizer que foi, no mínimo, produtivo.

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