Casamento sem convidados conquista noivos brasileiros

Noivos vestidos para casar, com direito a véu, grinalda, buquê, terno, flor na lapela… Uma mesa com bolo de vários andares, doces e flores, muitas flores. Um celebrante, fotógrafos, videomakers… E só. Nada de padrinhos, madrinhas, pais dos noivos nem convidados. A troca de votos tem como cenário uma linda paisagem — na maioria das vezes, algum lugar distante da cidade do casal. Este é o elopement wedding, formato de casamento que está conquistando cada vez mais adeptos (literalmente) descolados no Brasil.

Em inglês, a palavra “elope” significa “fugir”, e a expressão elopement wedding traz a imagem de um casal em fuga para viver um grande amor, sem interferências. Ela faz especialmente sentido ao voltarmos à Idade Média, quando o termo começou a ser usado, numa época em que casamento e amor não costumavam caminhar juntos. Naquele tempo, a expressão era usada para descrever a cerimônia de quem fugiu para casar — muitas vezes deixando para trás um noivo ou uma noiva de casamento arranjado.

Agora, o termo vem como desdobramento de outra grande tendência, o destination wedding, já que o elopement contemporâneo é um casamento discreto, em algum destino paradisíaco — ingredientes perfeitos para atrair a atenção de jovens casais famosos que desejem fugir dos flashes no dia do sim.

Em agosto, atriz Sthefany Brito oficializou sua união com o empresário Igor Raschkovsky em uma cerimônia a dois em Montalcino, na Toscana. Em 2016, Marina Ruy Barbosa e Xande Negrão trocaram votos secretos na Tailândia. Na ocasião, ela foi pedida em casamento durante o jantar que celebrava seis meses de namoro, e os votos foram trocados no dia seguinte, em cerimônia conduzida por dois monges budistas. A modelo Isabeli Fontana e o cantor Di Ferrero também embarcaram no elopement, nas Ilhas Maldivas.

Radicada há 10 anos na Suíça e pioneira na organização de destination weddings para brasileiros na Europa, Fernanda Silva já realizou mais de 80 elopements. Mas o fato de ser uma celebração a dois está longe de significar economia de detalhes — ou de investimento.

— Pode ser uma superprodução, sim. A diferença é que tem poucos expectadores — diz a cerimonialista.

A servidora pública Renata Maia e o advogado Marcelo Costa encontraram no elopement uma equação confortável para uma experiência a dois, com a sofisticação que caberia no bolso. Hospedados no Shangri-La Paris, Renata e Marcelo tiveram uma cerimônia conduzida por uma celebrante brasileira, no terraço do hotel, com vista para a Torre Eiffel. Na sequência, a recepção aconteceu em um salão privativo do restaurante, que contabiliza três estrelas Michelin. O investimento girou em torno de 4 mil euros.

— Dada a sofisticação da celebração e do jantar, e de todos os momentos incríveis que vivemos, valeu cada euro. Além de tudo, a experiência do elopement traz momentos únicos, como as divertidas manifestações de carinho das pessoas que passavam pelas ruas enquanto fazíamos fotos — conta a recém-casada, que contratou assessoria de uma empresa local. — Mesmo sendo um casamento pequeno, existem muitos detalhes que precisam funcionar para dar tudo certo.

Outro detalhe que demanda a atenção é como levar o vestido de noiva. A dica é jamais despachá-lo, uma vez que as malas sempre correm risco de se extraviarem.

— A melhor coisa que fiz foi levá-lo comigo. Apesar de volumoso, consegui fazê-lo caber em uma mala de mão. É claro que ele chegou bastante amassado, mas pedi que ele fosse passado no ato do check-in.

Paris é o principal destino para um elopement wedding, mas vem dividindo a preferência dos brasileiros com Portugal. Noiva do administrador de empresas Daniel Lanna, descendente de portugueses, Mica Gomes não teve dúvidas quando pensou sobre onde gostaria de trocar alianças, a Igreja de Santo Antonio, em Lisboa.

— Conheci Daniel em meio a minha trezena de Santo Antônio. A cerimônia foi muito além do que imaginamos — comemora Mica.

No caso deles, a opção pelo elopement não foi motivada por luxo, mas por leveza. Uma cerimônia clean, essencial, em que tudo foi escolhido pela própria noiva, que é assessora de casamentos no Brasil.

— Escolhi as flores e fiz o buquê e a lapela junto com a florista portuguesa. Eu e Daniel nos arrumamos juntos, saímos juntos para casar e celebrar. Foi muito especial este momento significativo só para nós dois. Um dia maravilhoso, que vai ficar na memória.

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