Brasil deixa escapar inédito top 5 e fica em sétimo no Mundial de Doha

A equipe masculina do Brasil chegou a flertar com um top 5, colocou pressão na Grã-Bretanha nesta segunda-feira no Aspire Dome. Mas duas quedas de Arthur Nory no cavalo com alças, na última apresentação, e um de Caio Souza nas barras paralelas impediram a colocação inédita. Contando também com Arthur Zanetti, Francisco Barretto e Lucas Bitencourt, a equipe brasileira acabou na sétima posição na final do Mundial de Doha, caindo um posto em relação à classificatória e à sua melhor colocação da história.

– O Brasil começou meio travado, foi desenvolvendo durante a competição, mas no último aparelho, o “touro com alças”, que é como a gente está chamando de tão complicado, derrubou o Brasil. Mas é trabalhar mais. É uma competição bem difícil – disse o campeão olímpico Arthur Zanetti.

Mundial de Doha, no Qatar — Foto: Abelardo Mendes Jr/rededoesporte.gov.br

China, Rússia e Japão parecem ainda inalcançáveis, mesmo se não houvesse quedas para o Brasil, que somou 243,994 pontos. Os chineses por muito pouco conseguiram manter o domínio asiático na prova e ficaram com o título, com 256,634 pontos. Vice em Doha por 49 centésimos, os russos vão ter de esperar o ano que vem para quebrar essa tradição que tem quase 20 anos. Atuais campeões olímpicos, os japoneses ficaram com o bronze com 253,744 pontos. As equipes medalhistas de quebra levaram a classificação para Tóquio 2020. Enquanto os brasileiros vão buscar uma das nove vagas restantes no Mundial de 2019, em Stuttgart.

– Apesar de termos errado, termos tido quedas, o desempenho do Brasil foi muito bom. Lutamos até o final, torcemos um pelo outro. Acho que não teve uma equipe aqui que não errou. É da competição. Erros acontecem. Estamos indo no caminho certo. Alcançamos nosso principal objetivo, que era estar na final. O que está vindo é lucro. Temos mais dias para mostrar que o Brasil não só um país que vem ao Mundial, vem para brigar. Ainda estamos um pouco longe dos líderes, mas estamos trabalhando para chegar lá – disse Caio Souza.

Notas do Brasil na final por equipes masculinas

Ginasta/aparelho Solo Cavalo Argolas Salto Paralelas Barra fixa
Brasil 41,932 (5) 35,899 (8) 42,899 (2) 42,057 (7) 39,674 (8) 41,533 (2)
Chico 13,666 13,408 13,800
Lucas 12,633 13,666 13,333
Nory 14,166 9,600 14,233 14,200
Caio 13,900 14,200 14,191 12,933 13,533
Zanetti 13,866 15,033 13,633

O Brasil volta ao Aspire Dome nesta terça, às 10h (de Brasília) para a final por equipes femininas. Há ainda seis chances de pódios individuais com Arthur Zanetti (argolas), Caio Souza (individual geral e salto), Flávia Saraiva (individual geral e solo) e Jade Barbosa (individual geral). O SporTV transmite ao vivo todas as finais do Mundial de Doha.

Primeira rotação – argolas

O Brasil começou a disputa em um ponto forte: as argolas. Foi o quarto melhor na classificatória neste aparelho e ainda melhorou o próprio desempenho na final. Caio abriu com 14,200. Zanetti teve uma saída cravada e repetiu os 15,033 da classificatória. Lucas, que havia errado a saída do aparelho no primeiro dia, desta vez não teve falhas graves e tirou 13,666. Somando 42,899, o Brasil aproveitou falhas dos rivais para abrir a disputa na segunda posição, atrás apenas da Rússia, que conseguiu 43,199 no solo.

Segunda rotação – salto

Era a vez do salto, um aparelho que costuma render muitos pontos ao Brasil. Nory abriu com um Yurchenko com dupla e meia e conseguiu 14,233. Finalista do aparelho em Doha, Caio teve problemas com sua tripla pirueta e tirou 14,191. Zanetti quase caiu, mas ainda somou 13,633. Com 42,057, o Brasil ficou pouco mais de um ponto abaixo do seu desempenho na classificatória e viu a Grã-Bretanha voar no salto para a liderança. Os brasileiros mantiveram a segunda posição, porque os russos tiveram problemas no cavalo com alças.

Terceira rotação – paralelas

O Brasil havia surpreendido positivamente nas paralelas durante a classificatória, mas o bom desempenho não se repetiu na final. Chico abriu com problemas menores e tirou 13,408. Caio, que havia puxado a nota da equipe na sexta, desta vez sofreu uma queda. Ele se recuperou bem, mas o 12,933 foi quase dois pontos abaixo do que tirou na classificatória. Lucas teve um desequilíbrio grande e bateu com o pé no aparelho durante um voo para tirar 13,333. Com 39,674 pontos, o Brasil despencou da segunda para a oitava posição. O Japão voou no salto para assumir a liderança, seguido pelos russos, que tiveram ótimo desempenho nas argolas.

Quarta rotação – barra fixa

Era preciso recuperar logo, já na barra fixa. Nory aumentou a dificuldade da sua série em relação à classificatória e praticamente cravou tudo e tirou 14,200 pontos, uma nota que se tivesse feito na classificatória estaria na final do aparelho. Caio perdeu o equilíbrio em uma parada de mão, mas ainda conseguiu 13,533. Finalista olímpico do aparelho, Chico teve problema na sua saída e tirou 13,800. Com 41,533 pontos na barra fixa, o Brasil conseguiu subir para a quinta posição, passando rivais como Holanda e Grã-Bretanha, que sofreram quedas. A Rússia teve grande desempenho no salto e assumiu a liderança, seguida de perto por China e Japão. Os três favoritos começaram a disputa interna pelo pódio.

Quinta rotação – solo

O bom embalo seguiu para o solo. Zanetti trabalhou bem as chegadas que foram o problema na classificatória e abriu com 13,866. Medalhista de bronze no solo da Rio 2016, Nory praticamente cravou sua série e conseguiu 14,166. Caio também comemorou muito sua série de 13,900. Com 41,932 pontos, o Brasil acabou sendo ultrapassado pela Grã-Bretanha, que também deu show no solo. Por outro lado, abriu vantagem em relação a Suíça e Holanda. Na briga pela ponta, a Rússia sofreu uma queda nas paralelas e caiu para a segunda posição. A China contou com um 16,200 de Zou Jingyaun, atual campeão mundial da paralela, para assumir a liderança. Atual campeão olímpico, o Japão ficou um pouco atrás na disputa.

Sexta rotação – cavalo com alças

Para o fim ficou o cavalo com alças, o ponto fraco do Brasil, o que quase derrubou o time na classifiatória. Lucas havia caído na sexta, mas desta vez completou sua série e tirou 12,633. Chico, que quase pegou final do aparelho em Doha, mais uma vez fez uma apresentação limpa e garantiu 13,666. Só que o “touro com alças” derrubou o Brasil mais uma vez. Na última série, Nory sofreu duas quedas e tirou apenas 9,600. Com apenas 35,899 pontos no aparelho, não deu para evitar a queda para a sétima posição.

Atual campeão olímpico, o Japão contou com uma queda no solo para sair de vez da disputa pelo ouro. Ao menos garantiu o bronze e a vaga em Tóquio 2020. A China teve problemas na barra fixa, mas o desempenho nas paralelas foi tão bom que segurou a liderança e o título por 49 centésimos de diferença. A Rússia teve de se contentar com a prata.

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