Bienal do Livro de São Paulo aumenta o espaço para a literatura feminista e vê crescer venda de autoras

É fácil ver que a literatura feminista é destaque na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que termina neste domingo (12). Diversas editoras colocaram em evidência, nos seus estandes, obras de autoras associadas ao feminismo. E a programação do evento promoveu vários debates sobre o tema.

“O feminismo é uma pauta da ordem do dia. Quando a gente pede às editoras sugestões de livros que estão sendo lançados sobre o tema, veio uma riqueza de títulos muito grande, na ficção e na não ficção”, afirmou Karina de Pino, curadora da Arena Cultural, do Salão de Ideias e do Espaço do Saber, três dos locais que sediaram discussões e palestras.

A professora Emilia Santana Lima, de 46 anos, dá aula para o 1º, 3º e 5º ano do ensino fundamental no CEU Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Na Bienal, comprou dois livros da Companhia das Letras num setor identificado como “literatura feminista”:

  • “Quem tem medo do feminismo negro”, da filósofa brasileira Djamila Ribeiro
  • “No seu pescoço”, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozie Adichie

Para Emilia, contou bastante o fato de serem duas escritoras negras – e feministas (Chimamanda também escreveu “Para educar crianças feministas”).

Para Emilia, a geração atual “está mais aberta” a discussões sobre o feminismo.

“A minha geração não teve. Eu não me lembro da minha professora falar sobre feminismo comigo (risos). Fui aprendendo na vida adulta. Eles [os alunos] acabam questionando mais, questionam entre si quando existe uma postura ou uma fala machista.”

Já a psicóloga Natália Malini, de 27 anos, moradora de Santo André, no Grande ABC, estava na Bienal usando fantasia inspirada nas roupas das protagonistas da série “The Handmaid’s Tale”.

Adaptação do romance “O conto da Aia” (Rocco), publicado em 1985 por Margaret Atwood, a série é considerada um dos principais símbolos do feminismo atual. Não por acaso, Natália comprou na Bienal duas outras obras da mesma escritora.

“O povo fala mais sobre isso [feminismo], fica mais fácil de você ter acesso a esse tipo de conteúdo. A Bienal é um espaço para isso também. Com certeza, o acesso é muito maior do que antigamente. Acho ótimo, todo mundo tem que ler e estar ativo mesmo. Homem, mulher, o que for. É para todos.”

Feminismo (também) para crianças

No estande da V&R Editoras, o mais vendido é “Histórias de ninar para garotas rebeldes”, das italianas Ele Favilli e Francesca Cavallo.

Lançado no Brasil em 8 de março de 2017, o volume já rendeu continuação. Marcia Alves, editora do primeiro e coeditora do segundo, comemorava na Bienal o fato de os dois títulos teverem vendido, somados, 300 exemplares nos sete primeiros dias do evento. “É muito bom para uma feira”, afirmou.

Ela reconhece que “Histórias de ninar para garotas rebeldes” pode ser entendido como um livro feminista.

“Não é só um livro para meninas ou para mulheres, mas para todas as idades. É um livro de cabeceira, para que você conheça o máximo de personalidades que fizeram diferença no mundo – e todas elas mulheres”, justifica.

“[No livro] Tem escritoras, cientistas, pesquisadoras… Então pode chamar, sim, de um livro feminista, porque defende a causa da mulher. É o nosso best seller. Desde o ano passado, é o mais vendido da casa.”

Karina de Pino, a curadora da Bienal, acredita que “quanto mais cedo as meninas começarem a falar e a entender que elas não são piores do que os meninos ou têm menos direitos do que os meninos… acho fantástico”.

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