Bienal do Livro de 2021 está confirmada no Rio e já tem data

Teto de livros coloridos na Bienal — Foto: Reprodução

A 20ª edição da Bienal do Livro do Rio já tem data. A feira está marcada para começar no dia 3 de setembro de 2021 e vai até o dia 12 de setembro – pegando o feriadão da Independência, que naquele ano terá quatro dias.

“A Bienal Internacional do Livro Rio é o maior festival cultural do país e um dos principais eventos do calendário oficial da cidade há 38 anos, e continuará sendo”, informou a organização do festival, em nota.

Polêmica com Salvador

O esclarecimento veio depois que o prefeito de Salvador, ACM Neto, anunciou uma edição da feira na capital baiana.

“Já temos um grande evento confirmado para acontecer no Centro de Convenções de Salvador: a Bienal do Livro 2020. Somos a cidade da diversidade. Aqui é proibido censurar”, escreveu ACM Neto.

O prefeito de Salvador não citou nomes, mas falou de uma rivalidade com o Rio.

“A Bienal 2020 será a maior de todos os tempos, em todo o Brasil. Ela vai acontecer aqui no Centro de Convenções. Sei que essa disputa saudável com o Rio de Janeiro sempre aconteceu, eu adoro o Rio, mas sempre que eu puder puxar a sardinha para o meu lado, eu vou puxar”, afirmou.

“O Brasil inteiro, a partir de hoje, fica sabendo que ano que vem não será no Rio, será na primeira capital do Brasil”, disse o prefeito durante o anúncio.

A Bienal carioca ocorre sempre em anos ímpares – logo, em 2020 já não haveria uma edição, como supôs ACM Neto.

“Até 2013, a organização da Bienal do Rio realizava o evento também em Salvador, mas teve que cancelar devido à falta de um centro de exposições em condições de receber o festival”, esclareceu a direção.

“Agora, com a inauguração de um novo espaço prevista para dezembro, a Prefeitura de Salvador demonstrou interesse em ter a Bienal de volta na cidade e ser parceira na realização. Diante disso, ficou acordado que em 2020 acontecerá a Bienal do Livro de Salvador”, emendou.

Denúncia de censura

Os quatro últimos dias da Bienal do Livro do Rio foram marcados por uma guerra judicial entre o prefeito Marcelo Crivella, que determinou a apreensão do romance gráfico “Vingadores – A cruzada das crianças”, supostamente por trazer imagens impróprias para menores de idade, e a organização do evento, que tentava impedir o ato.

Linha do tempo

QUINTA (5)

  • À noite, Crivella diz que vai mandar recolher exemplares de “Vingadores, a cruzada das crianças”. “Pessoal, precisamos proteger as nossas crianças. Por isso, determinamos que os organizadores da Bienal recolhessem os livros com conteúdos impróprios para menores. Não é correto que elas tenham acesso precoce a assuntos que não estão de acordo com suas idades”, disse o prefeito.
  • Bienal diz que não vai retirar livros e que dá “voz a todos os públicos”.

SEXTA (6)

  • Em 39 minutos, todos os exemplares se esgotam em pouco mais de meia hora.
  • À tarde, fiscais da prefeitura vão à Bienal para identificar e lacrar livros considerados “impróprios”.
  • Bienal recorre à Justiça para garantir “pleno funcionamento do evento”.
  • À noite, desembargador concede liminar em favor da feira.
  • OAB diz que prefeitura não tem poder para recolher livros.
  • Fiscalização não encontra conteúdo em ‘desacordo com a legislação’.

SÁBADO (7)

  • Pela manhã, a equipe do youtuber Felipe Neto doa 14 mil livros com temática LGBT que estavam à venda na Bienal.
  • À tarde, nova decisão do TJ-RJ derruba a liminar e permite o recolhimento de livros com temática LGBT para o público jovem e infantil que não estejam lacrados.
  • Fiscais retornam aos pavilhões e anunciam uma varredura à paisana.
  • À noite, público da Bienal faz ‘beijaço’ contra ordem de Crivella para apreender livros e grita palavras de ordem contra o prefeito.
  • A Seop alega não ter encontrado nada de irregular.
  • Decano do STF, o ministro Celso de Mello classificou a censura a livros da Bienal do Rio como “fato gravíssimo”.

DOMINGO (8)

  • De manhã, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Bienal funcione sem o risco de “censura genérica” de Crivella.
  • Presidente do STF, Dias Toffoli suspende decisão judicial que permitia apreensão de livros na Bienal. Em outra decisão, Gilmar Mendes ratifica a liberdade de discurso.
  • À tarde, a prefeitura anuncia um recurso ao Supremo.
  • Autores apresentam um manifesto contra Crivella.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: