Barricadas isolam bairros em São Gonçalo

O município de São Gonçalo tem um tamanho calculado em 247,7 km², mas engana-se quem acredita ser possível rodar toda essa extensão de terra e conhecer cada canto do lugar. O motivo? Boa parte da cidade é fechada por barricadas instaladas por traficantes de drogas que, por medo de ações policiais ou ataque de rivais, bloqueiam vielas, ruas e até alguns bairros.

Segundo dados do Disque-Denúncia, de janeiro a agosto foram feitas 3.114 ligações denunciando a colocação de barricadas no estado. Destas, 34% ou 1.071 foram sobre bloqueios em ruas de São Gonçalo. Em segundo lugar, bem atrás, aparece a capital, com 686 denúncias, ou 22% do total.

Apesar de não haver dados oficiais sobre o tema, o bairro Jardim Catarina, que é o maior da América Latina e consequentemente o maior do município, parece ser o mais afetado. No local, há relatos de barricadas fechando mais de 10 ruas. Entre elas, estão as Ruas Turmalina, Diamantes e Padre Vieira. Nas redes sociais, onde moradores falam anonimamente sobre o assunto, por medo, existem diversos relatos.

“É só mais uma do um milhão de barricadas que o bairro tem. Policia? Só na principal e sem olhar para nenhuma transversal…”, diz um morador. “Moradores do bairro Jardim Catarina não aguentam mais com os traficantes e com as barricadas”, disse outro.

Vale lembrar que, em 2018, o Exército realizou, quase que diariamente, diversas operações para retirada desses bloqueios no Jardim Catarina e quase zerou as barricadas colocadas pelos traficantes.

No entanto, além do Jardim Catarina, diversos outros bairros também são afetados pelo problema. No Lindo Parque, há barricadas nas Ruas Costa Monteiro, Alexandre Brunete e outras; no Rocha, nas Ruas Antônio Guedes, Adolfo Saldanha e Major Duque Estrada. No Mutuaguaçu, há denúncias de ruas fechadas com barras de ferro concretadas e pneus. Moradores de outras áreas, no entanto, seguem denunciando novos casos a cada dia.

Recentemente foram publicadas matérias sobre bloqueios em Maria Paula e Trindade. Neste segundo caso, a PM realizou a retirada da barricada no dia seguinte.

A logística do crime organizado em São Gonçalo também é um fator importante para a colocação das barricadas. O município, atualmente, abriga as duas maiores organizações criminosas do estado, Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), além de, pelo menos, um grupo paramilitar na região do Jóquei, as chamadas Milícia. A constante guerra entre elas, faz com que líderes do tráfico ‘protejam’ suas áres com as barricadas.

Sobre o tema, a PM informou que “o policiamento ostensivo do 7ºBPM (São Gonçalo) segue atuando nestes bairros do município de São Gonçalo visando prevenir e coibir práticas criminosas”.

A Polícia Militar afirmou ainda que “tem atuado para retirar as barricadas que são colocadas em vias públicas, tendo como intuito trazer de volta o direito de ir e vir à população da região. No entanto, ações contínuas deste tipo nestas áreas vêm sendo limitadas diante da decisão do Supremo Tribunal Federal atualmente em vigor no Estado do Rio de Janeiro”.

A PM encerrou informando que essas operações precisam de planejamento, para preservar vidas. “Ressaltamos ainda que a remoção destes obstáculos nas vias necessitam de planejamento prévio, tendo em vista os aspectos envolvidos, principalmente quanto à proteção das vidas dos moradores, dos policiais militares envolvidos e demais pessoas que circulam nestas regiões”.

A Prefeitura de São Gonçalo, que é a verdadeira responsável em manter o direito de ir e vir de seus contribuintes, foi questionada sobre a situação e se tem alguma aproximação com o Batalhão da PM da cidade para resolver o problema, no entanto, a mesma não respondeu.

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