Banco de Leite Humano do Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, dá amparo a bebês

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) chegou ao país há 22 anos, por iniciativa do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz, com a missão de promover, proteger e apoiar o aleitamento materno, coletar e distribuir leite humano com qualidade certificada, contribuindo para a diminuição da mortalidade infantil. Além das ações de processamento, coleta e distribuição de leite humano aos bebês prematuros e de baixo peso, os bancos realizam atendimento de orientação e apoio à amamentação.
 
Em 2001 ocorreu um dos primeiros marcos do projeto: a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a rBLH-BR como uma das ações que mais contribuíram para redução da mortalidade infantil no mundo, durante a década de 1990. No período de 1990 a 2012, a taxa de mortalidade infantil no Brasil diminuiu 70,5%.
 
 
Na Baixada Fluminense o Banco de Leite Humano do Hospital de Saracuruna (Adão Pereira Nunes), em Duque de Caxias, realiza o serviço desde 2007. De janeiro a julho deste ano, a unidade contabilizou 643 visitas domiciliares, com 221 doadoras voluntárias e 251 litros de leite coletado.
 
Um diferencial da unidade em comparação a outros bancos é a visita domiciliar, que ocorre nas casas das doadoras uma vez por semana, com profissionais de enfermagem realizando uma consulta. Além de entregar o kit de coleta, a profissional orienta as doadoras quanto à ordenha e à conservação do leite coletado. Esse atendimento foi mais explorado durante a pandemia e responsável não só por manter, mas também por aumentar o número de doadoras e quantidade de leite recolhido.
 
“Nesse período de pandemia a maioria dos bancos de leite ficaram quase sem estoque nenhum. Mas como temos esse serviço que a enfermeira vai até a casa da doadora, há todo um vínculo com essa mãe, que às vezes ultrapassa o vínculo profissional. Com isso, quase triplicamos a quantidade de leite coletado e dobrou o número de doadoras. Fomos durante a pandemia de 17 para 36 doadoras. O volume de leite arrecadado foi de 21 litros para 60 por mês. Somos o único banco da rede que conseguiu esse feito durante a pandemia”, ressalta a coordenadora do Banco de Leite do Hospital de Saracuruna, Isabel Cristina Ferreira.
 
Em complemento, a coordenadora afirma ainda o que é preciso para ser uma doadora e a importância da amamentação. “Para ser doadora é preciso atender a dois requisitos: não ter nenhuma doença e ter um excedente de leite. Não tem quantidade mínima nem máxima de doação. Temos doadoras que entregam 100 ml por semana e outras que doam 1 litro por dia, depende da produção da mulher. O leite é para atender os bebês da UTI Neonatal que, em sua maioria, estão com extremo baixo peso”, explica.
 
Ela revela ainda que grande parte dos bebês mamam muito pouco, então com 100 ml já dá para salvar uma vida. “A importância da amamentação é que a criança tem uma chance muito maior de sair da UTI, porque o leite materno não nutre somente, ele também é vacina, uma vez que toda e qualquer doença que essa mulher teve ela vai passar o código vacinal para essa criança, então ela está dando anticorpos também”, explica Isabel.
 


Uma das mulheres que ajudam os bebês da UTI Neonatal e o Banco de Leite do Hospital de Saracuruna é Thamyres Ederli, de 27 anos, mãe do pequeno Hélio, de seis meses. A professora de história é moradora de Caxias e faz uma doação semanal de três litros de leite, em média. Para ela ainda há pouca divulgação sobre a doação, bem como campanhas que incentivem o ato.
 
“Eu me sinto muito feliz por poder doar, fico feliz do meu filho crescer sendo amamentado e dividindo o leite dele com outros bebês porque isso é muito importante. Leite nenhum no mundo se equipara ao materno, pena que tão poucas crianças têm acesso. Se boa parte das mulheres que amamentam doassem por pelo menos alguns meses, os estoques não seriam baixos. Banco de leite é para todas, não só para quem doa, isso é importante frisar. Qualquer mulher pode procurar se estiver com problemas na amamentação, é só ligar e agendar ou, dependendo do problema, ir lá”, ensina a doadora.

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