Banco Central perde quase R$ 10 bilhões no ano com ação para controlar o dólar

Banco Central registrou em maio prejuízo de R$ 9,937 bilhões com as operações de intervenção no câmbio, conhecidas como contratos de “swaps”, que equivalem à compra ou venda de moeda estrangeira no mercado futuro, no acumulado deste ano, até 3 de agosto.

De forma geral, o Banco Central registra lucro com esses contratos quando o dólar cai e prejuízo quando a cotação da moeda sobe. Nos sete primeiros meses do ano, o dólar acumulou alta de 13,27% sobre o real.

Somente em julho, porém, quando a moeda norte-americana caiu 3,18%, no que foi o primeiro recuo mensal desde janeiro, a instituição registrou lucro de R$ 8,607 bilhões com os contratos de swap cambial. Esses ganhos, porém, não compensam totalmente as perdas dos meses anteriores.

Em 2015, o gasto das ações do BC no mercado futuro de câmbio (derivativos) somou R$ 89,657 bilhões. Foi a maior perda anual da série histórica, que começa, para anos fechados, em 2003. Em 2016 e 2017, respectivamente, entretanto, apresentou ganhos de R$ 75,652 bilhões e de R$ 7,033 bilhões.

Contas públicas

O prejuízo do Banco Central com os contratos de “swaps cambiais” prejudica as contas públicas. Isso porque as perdas serão incorporadas às despesas do governo federal com juros da dívida pública, o que ajuda a aumentar o chamado resultado “nominal” – calculado após a contabilização das despesas com juros.

Segundo o BC, o déficit nominal das contas públicas somou R$ 487 bilhões, o equivalente 7,28% do PIB, em doze meses até junho deste ano. Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco na determinação da nota de crédito dos países.

Os contratos de “swap”, quando geram prejuízo, também ajudam a aumentar a dívida do setor público. No caso da dívida bruta, que não considera os ativos dos países como as reservas cambiais, o endividamento brasileiro subiu em junho para 77,2% do PIB – patamar ainda elevado para padrões internacionais.

Com a piora dos indicadores das contas públicas nos últimos meses, apesar do lucro com swaps cambiais, entre eles aqueles relacionados com as contas públicas, o Brasil já perdeu o grau de investimento conferido por maiores agências de classificação de risco. Com isso, alguns fundos de pensão, por conta de suas regras, têm de retirar investimentos do país.

Valorização de reservas

Se por um lado o BC registra perdas com os contratos de “swap cambial”, quando o dólar as reservas internacionais brasileiras sobem – em reais. No acumulado deste ano, o ganho líquido com a valorização das reservas internacionais brasileiras foi de R$ 97,088 bilhões.

Para chegar a esses números, é considerada a rentabilidade (com a queda do dólar, as reservas em reais ficam menores), menos o custo de captação.

Ainda de acordo com o BC, a valorização das reservas não tem impacto no chamado déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida), assim como não tem efeito no déficit nominal do setor público, mas incorporam o balanço do Banco Central. Os valores elevam a dívida pública.

Para que servem os contratos de “swap”?

O Banco Central oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana. No vencimento deles, o investidor se compromete a pagar uma taxa de juros sobre o valor dos contratos e recebe do BC a variação do dólar no mesmo período.

Segundo o BC, os contratos de “swap cambial”, que voltaram a ser emitidos em junho de 2013, quando a moeda norte-americana se aproximava de R$ 2,40, visam dar proteção (hedge) para os agentes que têm dívida em moeda estrangeira, além de fornecer liquidez para o mercado – evitando também uma volatilidade maior (forte sobe e desce) das cotações no mercado à vista.

Esse tipo de contrato também representa uma forma de proteção a empresas com dívidas altas em dólar. Se uma empresa fatura em reais, mas tem dívidas em dólares, pode ser interessante investir nestes contratos que a livram do risco de perder dinheiro com uma disparada da moeda norte-americana. Mas a estratégia tem um custo e envolve riscos. Se o dólar cair ou ficar estável, a empresa pode ter perdas e isso complica seu balanço.

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