Análise: sem sofrer, Botafogo anula Vasco, mas precisa acertar decisões no terço final

Não teve gol em São Januário na noite da última quarta-feira, mas o Botafogo fez o que precisava para se classificar para as oitavas de final da Copa do Brasil. Sem sofrimento, mas com pontos a melhorar, o empate em 0 a 0 contra o Vasco mantém viva a esperança pelo título mais palpável da temporada.

A análise da partida segura do Botafogo deve ser feita em cima de dois jogadores que saíram grandes do clássico: Kanu e Keisuke Honda.
Defesa do Vasco fez clássico seguro em São Januário — Foto: André Durão/ge

Regularidade é a marca registrada do zagueiro desde o início do Brasileirão. Kanu foi impecável em São Januário e anulou Cano, a grande aposta ofensiva do Vasco na temporada. Soberano nas disputas pelo alto, Kanu teve a ajuda dos companheiros Marcelo Benevenuto e Rafael Forster para terminar os 90 minutos com segurança.

Kevin e Victor Luis também contribuíram para anular as investidas do rival. O Vasco pouco incomodou o Botafogo pelos lados do campo. Além da anulação de Cano, o time alvinegro conseguiu neutralizar o meia Benítez.

A realidade é que o Botafogo não precisou sofrer para avançar na Copa do Brasil.

Honda fez sua melhor partida desde que chegou ao Botafogo. Participou das construções das jogadas e levou o time à frente, mas também foi importante na recuperação e recomposição com a defesa. Marcou e criou – o pacote completo. O meia japonês apareceu com muita vontade.

Honda fez sua melhor partida desde que chegou ao Botafogo — Foto: André Durão/ge

O que faltou ao Botafogo foi acerto nas decisões. O time teve espaços e chegou com tranquilidade à área vascaína em muitos momentos, mas erros de passes, demora na conclusão e finalizações sem pontaria impediram a equipe de levar qualquer susto a Fernando Miguel.

O Botafogo não finalizou uma bola sequer no gol do Vasco.

A consistência defensiva e o meio-campo participativo não conseguiram levar inspiração ao trio de ataque. Bruno Nazário se movimentou muito e foi quem mais tentou o gol: das 13 finalizações do Botafogo, seis foram do meia. Faltou dar rumo à bola.

Matheus Babi se movimentou e saiu da área várias vezes pra tentar receber a bola ou pressionar na marcação. Somou para o jogo coletivo, mas não não conseguiu o brilho das atuações anteriores diante do mesmo rival. Mesmo assim, sai como um dos heróis da classificação após marcar o gol da vitória por 1 a 0 no jogo de ida.

Em ritmo totalmente diferente do time, Salomon Kalou foi a decepção da noite. O atacante se precipitou em praticamente todas as tomadas de decisão. Ou segurou demais a bola quando precisava soltar, ou soltou no momento errado, ou ainda optou pelo passe mais difícil. Saiu de campo com uma finalização.

Resumindo: o Botafogo criou boas situações ofensivas, explorou os espaços do Vasco para ir à frente, mas foi nada efetivo nas conclusões. Paulo Autuori concorda.

– O que a gente precisa evoluir bem, e precisamos de treino – algo que nenhum clube brasileiro tem – é a ponta final, já que nós chegamos lá com bons movimentos, mas precisamos decidir melhor para poder conseguir finalizar com mais perigo e mais êxito – disse o técnico após a partida.

Há três partidas sem sofrer gols, o Botafogo mostra maturidade defensiva e se adapta ao esquema com três zagueiros que tem sido explorado por Autuori. Isso dá tranquilidade para o técnico trabalhar a fase ofensiva da equipe. O Bota agora aguarda a definição do próximo adversário na Copa do Brasil, que será conhecido por meio de sorteio.

Kalou destoou do restante da equipe — Foto: André Durão/ge

Deu bom

  • Postura defensiva. Botafogo não sofreu contra o Vasco e conseguiu anular as principais peças do rival. Kanu viveu grande noite.
  • Meio de campo. Guiado por Honda, o Botafogo conseguiu fazer a transição para o ataque e chegou várias vezes à frente. Japonês teve noite diferenciada.

Deu ruim

  • Erros nas conclusões. Apesar de aproveitar os espaços e chegar ao ataque, o Botafogo não teve êxito e pecou nas decisões tomadas pelos homens de frente.
  • Kalou. O atacante marfinense não deu ritmo ao ataque, tomou as decisões erradas e perdeu o fôlego.

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