Análise: em outro ritmo, Fluminense joga só 20 minutos e precisa de “antídoto contra recuo”

Fluminense evitou a derrota nos acréscimos, mas o 2 a 2 com o Ceará dentro do Maracanã (veja os melhores momentos no vídeo acima) não deixou de ser um doloroso tropeço. E nem mesmo a perda de Yago com um minuto de jogo serve como desculpa. Com uma invencibilidade de cinco jogo e após frear o líder Atlético-MG, o Tricolor chegou embalado, mas passou longe de repetir a intensidade e qualidade que teve na quarta-feira no Mineirão.

Se para surpreender o adversário, Odair Hellmann apostou em um jogo de velocidade e transição rápida, contra o Ceará o Fluminense mudou novamente sua característica. Com a volta de Nenê e Fred, o time desacelerou para ficar mais técnico. E no início, deu toda pinta de que daria certo. Foram 12 minutos de uma blitz tricolor: duas finalizações, três chances claras e um gol, marcado por Luiz Henrique. E mais oito minutos de um jogo controlado.

Fluminense recuou demais até sofrer o gol de empate do Ceará — Foto: André Durão / ge

Fluminense recuou demais até sofrer o gol de empate do Ceará

Mas, a partir dos 20, o Ceará começou a encontrar espaços na defesa tricolor e a assustar. Então, o Fluminense caiu em sua própria armadilha que havia feito contra o Atlético-MG: tentou ser reativo, só que sem peças de velocidade. O resultado foi que o time parou de atacar e viu a pressão passar para o lado do adversário até sair o gol-contra por infelicidade de Hudson na bola parada.

Scout – Fluminense x Ceará

Quesito Fluminense Ceará
Posse de bola 47% 53%
Finalizações 5 14
Chances de gol 4 4
Passes certos 461 324
Passes errados 79 90
Desarmes 18 34
Faltas 17 16
Impedimentos 2 2

Só então o Fluminense voltou a atacar e chegou a ter mais uma chance com Luiz Henrique, no fim do primeiro tempo. Mas o recuo já havia custado caro para um time que precisa urgentemente de um “antídoto contra recuo” após um gol. Odair garante que jamais deu o comando de recuar para a equipe, e o próprio Nenê, momentos antes do empate do Ceará, quando recebeu uma bola na lateral e viu que não tinha opção de passe, gesticulou para os jogadores saírem de trás.

Nenê estava "pistola" com a postura defensiva do time no 1º tempo — Foto: André Durão / ge

Nenê estava “pistola” com a postura defensiva do time no 1º tempo 

No segundo tempo, Odair resolveu arriscar para mudar a postura e lançar o time ao ataque. Primeiro, com Caio Paulista, depois com Marcos Paulo, Ganso e Felippe Cardoso. Mas o Ceará continuou melhor e mais perto do segundo gol, o que aconteceu aos 32 minutos. A derrota parecia certa até que Fred, que não havia feito nada no jogo que justificasse sua presença em campo àquela altura, fez grande assistência para Danilo Barcelos evitar um dano maior nos acréscimos.

O lateral-esquerdo, autor de um gol e uma assistência, foi um dos poucos que se salvou. Assim como Luiz Henrique, que esbanja personalidade e é cada vez mais titular. Por falar no atacante, que foi um dos infectados e curados do Covid-19, há outros que saíram da equipe por causa da doença, mas já têm ficado no banco após se recuperarem. Odair precisa escalar os melhores, e é hora de Luccas Claro e Calegari voltarem ao time. Digão foi suspenso pelo terceiro cartão amarelo, e Igor Julião foi o pior em campo.

Odair admitiu a má atuação da equipe em entrevista coletiva — Foto: André Durão / ge

Odair admitiu a má atuação da equipe em entrevista coletiva 

Após o empate, o Fluminense caiu uma posição na tabela, mas segue no G-6 do Brasileiro com 26 pontos. Os jogadores tricolores ganharam o domingo e a segunda-feira de folga e se reapresentarão na terça, no CT Carlos Castilho. Com uma semana livre para treinar depois de muito tempo, Odair terá cinco dias para preparar o time para o “jogo de seis pontos” contra o Santos, quinto colocado, no próximo domingo, às 16h (de Brasília), no Maracanã.

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