Alunos de Mesquita participam de debate sobre questões raciais

Um caso real de discriminação serviu de tema para um debate realizado pela Coordenadoria de Igualdade Racial de Mesquita, na tarde da quinta-feira, 14/03. No centro da roda de conversa Jorge Benjamin, pai do DJ Leonardo Nascimento, jovem injustamente preso na cidade do Rio de Janeiro, após ser acusado por um assassinato que não cometeu. O debate reuniu alunos da rede pública da cidade, das escolas municipais Governador Roberto Silveira e Vereador Américo dos Santos, da Escola Estadual Ciep 111 Gelson Freitas e foi mais uma atividade da programação dos 21 dias de Ativismo contra o Racismo, organizada pela prefeitura da cidade.

O pai de Leonardo relembrou a história do filho. Uma testemunha de um assassinato ocorrido no bairro de Pedra de Guaratiba disse ter reconhecido o jovem como o autor do crime. Depois de passar uma semana na cadeia, a polícia reconheceu o erro, prendeu o verdadeiro culpado e libertou Leonardo.  Jorge Benjamin falou sobre o apoio que a família recebeu durante todo o período conturbado.

Este era justamente esse o tema da discussão: A Importância da Família na Formação do Jovem Negro. Com o auditório do Centro Cultural Mister Watkins os organizadores quiseram levar os estudantes a refletirem sobre os problemas relativos às questões raciais e todas as suas implicações na vida de jovens negros.

“Lutar por igualdade e mais oportunidades é um exercício diário, e que nesta data ganha ainda mais força. É um momento importante para discutir as temáticas raciais, destacar a luta e as conquistas dos negros na sociedade e refletir sobre as políticas do município que propiciem a inclusão e o combate ao racismo”, destacou Jorge Benjamin.

Além da roda de conversas, a Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial, manterá até o dia 28 de março uma campanha de conscientização nas redes sociais da prefeitura. Com o título de “Tire o racismo do seu vocabulário”, o ensaio fotográfico reúne 21 retratos de

moradores exibindo frases e expressões racistas que dizem ser comum ouvir ou que se deparam com determinada frequência. As frases foram escritas, de próprio punho pelos moradores.

As placas manuscritas foram reunidas numa exposição itinerante, que desde a segunda-feira (11/03), está percorrendo as escolas das redes pública e privada, o saguão da sede municipal, a Praça da Revolução – em Edson Passos, o Centro Cultural Mister Watkins e as estações de trem que ficam na cidade, levando a mensagem de combate à discriminação.

Para o dia 21/03 está prevista a exibição do filme ‘’Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil’’, outra vez no Centro Cultural Mister Watkins. Na plateia também estarão adolescentes e jovens de escolas municipais e estaduais de Mesquita. O filme é um documentário de 2016 que conta a história de Aloisio Silva, um menino que foi escravizado em uma fazenda no município de Campina do Monte Alegre, no Estado de São Paulo, por fazendeiros-empresários brasileiros da família Rocha Miranda, que eram simpatizantes do nazismo e participantes da cúpula da Ação Integralista Brasileira, na década de 1930. Além dele outros 50 meninos negros foram retirados de um orfanato para serem escravizados. A exibição acontecerá no dia 21 de março.

“Esses momentos que oferecemos aos alunos vêm de encontro para refletirmos sobre a valorização da identidade negra na cidade, impulsionando a cultura, a convivência e aceitação na sociedade”, ressaltou Claudio Macalé, coordenador municipal de Igualdade Racial.

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